Em uma de suas principais obras, Jacqueline Rose — crítica fortemente envolvida com a psicanálise — desmonta expectativas acerca da maternidade e examina com clareza brutal como a figura materna se tornou, em diferentes esferas, alvo de crueldade consentida e exclusão social. Ao mobilizar história, política, psicanálise e literatura, a autora revela as forças implacáveis que operam no discurso ocidental, ora tendendo à idealização, ora partindo para uma culpabilização impiedosa das mulheres que maternam.
Seguindo o fio dos acontecimentos das últimas décadas, Rose demonstra que, com frequência, gestantes e mães solo são retratadas pela imprensa como ameaças ao bem-estar da sociedade, além de trazer dados aterrorizantes em relação às suas participações na vida pública: no Reino Unido, mais de 50 mil mulheres perdem o emprego todos os anos em decorrência da gravidez. Longe de estar restrito ao contexto britânico, esse cenário de cerceamento de escolhas e comportamentos segue uma