Em seu primeiro romance, A fortaleza dos Homens-Borracha, Ricardo Terto, cultuado por suas crônicas e contos, mergulha numa história explosiva sobre como o trauma se transforma em ação coletiva quando a dor individual não encontra canais de justiça.
Como um roteiro cinematográfico, a narrativa acompanha a Cozinheira, o Chaveiro, o Demolidor e a Professora, personagens da periferia de São Paulo que, após perderem pessoas queridas, vítimas da violência de Estado, decidem se reunir em busca de desforra. No Buraco da Agulha, lugar que funciona como uma espécie de “Sala da Justiça”, cada um deles passa por uma metamorfose particular para superar o luto e seus fantasmas.
A partir desses encontros surge um plano mirabolante que nossos heróis sem capa decidem realizar como um gesto simbólico para que a memória de seus entes não seja dizimada pela polícia, isto é, os “Homens-Borracha” — seres metafóricos capazes de apagar a história dos outros. A partir daí, o que er